Pesquisa Perfil da Enfermagem é apresentada em Rondônia


17.08.2015

 

Com estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por iniciativa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e apoio do Conselho Regional de Enfermagem de Rondônia, foram apresentados no auditório da Faculdade Fimca, em Porto Velho, os resultados da Pesquisa Perfil da Enfermagem em Rondônia. A solenidade contou com participações de autoridades locais, enfermeiros, técnicos da enfermagem e público em geral. A representante da Fiocruz, pesquisadora Maria Helena Machado, proferiu palestra com apresentação dos dados coletados. Em momento que antecedeu a exposição de conteúdo, destaque para mesa formada pela Presidente do Coren-RO, Ana Paula Cruz, conselheiro e vereador Sid Orleans, assessora técnica da Câmara de Assistência do Cofen, Silvia Maria Neri Piedade. “Os dados dessa pesquisa vão nos oferecer parâmetros para que possamos intervir com mais propriedade nos dilemas e pontos críticos que a enfermagem apresenta”, expressa a presidente Ana Paula Cruz.

O evento de apresentação de resultados da pesquisa Perfil da Enfermagem em Rondônia foi realizado na sexta-feira última, dia 14 de agosto, e vem reforçar os debates traçados pelo Conselho Federal sobre pontos importantes para a categoria, em todo o País, ligados, tais como o desemprego, remuneração, desgaste profissional, o reordenamento da formação profissional, dentre outros. Em sua fala de abertura, a pesquisadora Maria Helena Machado enfatizou sobre algumas constatações da pesquisa, tais como o baixo salário dos trabalhadores de Rondônia comparados às demais unidades brasileiras. “O nortista, de acordo com a pesquisa, é o que sofre menor impacto da rotina diária. Mas isso é uma característica que está relacionada à sua forma de viver, e não às agressões do meio. Este trabalhador sabe lidar melhor com isso, é menos entediado”, explica.

Qual é o Perfil da Enfermagem em Rondônia?

A pesquisa foi realizada em todo o Estado de Rondônia, ouvindo auxiliares, técnicos e enfermeiros, com abrangência de mais de 13 mil profissionais. A enfermagem hoje em Rondônia é composta por um quadro de 79,6% de técnicos e auxiliares e 20,4% de enfermeiros.

Onde trabalham

No quesito mercado de trabalho, 73,4% da equipe de enfermagem encontra-se no setor público; 20,1% no privado; 3,4% no filantrópico e 3,9% nas atividades de ensino.

Em Rondônia, 56,8% da equipe de enfermagem declaram desgaste, percentual abaixo da média nacional (64,2%).

Renda mensal

Considerando a renda mensal de todos os empregos e atividades que a equipe de enfermagem exerce, constata-se que 2,2% de profissionais na equipe recebem menos de um salário-mínimo por mês. A pesquisa encontra um elevado percentual de pessoas (23,1%) que declararam ter renda total mensal de até R$ 1.000, ou seja, estão em condições de subsalário.

Dos profissionais da enfermagem, a maioria (60,5%) tem apenas uma atividade/trabalho.

Os quatro grandes setores de empregabilidade da enfermagem (público, privado, filantrópico e ensino) apresentam subsalários. O privado (36,3%), o filantrópico (60%), o público (14,9%) e o de ensino (28,5%) praticam salários com valores de até R$ 1.000.

Masculinização

A equipe de enfermagem em Rondônia é predominantemente feminina, sendo composta por 85,7% de mulheres. É importante ressaltar, no entanto, que mesmo tratando-se de uma categoria feminina, registra-se a presença de 14,1% dos homens. “Pode-se afirmar que na enfermagem está se firmando uma tendência à masculinização da categoria, com o crescente aumento do contingente masculino na composição. Essa situação é recente, data do início da década de 1990, e vem se firmando”, afirma a coordenadora.

Profissionais qualificados acima do exigido

O desejo de se qualificar é um anseio do profissional de enfermagem de Rondônia. Os trabalhadores de nível médio (técnicos e auxiliares) apresentam escolaridade acima da exigida para o desempenho de suas atribuições, o que significa dizer que 28,5% de todo o contingente, fizeram ou estão fazendo curso de graduação.

Desemprego aberto

A área já apresenta situação de desemprego aberto, com 10,6% dos profissionais entrevistados relatando situações de desemprego nos últimos 12 meses. Dificuldade de encontrar emprego foi relatada por 79,2% desses profissionais.

Concentração na capital

Contrariando a tendência apontada pela pesquisa, de concentração dos profissionais de enfermagem nos grandes centros urbanos, em Rondônia, menos da metade da equipe de enfermagem (38%) se concentra na Capital.

No País

A enfermagem hoje no país é composta por um quadro de 77% de técnicos e auxiliares e 23% de enfermeiros. A conclusão é da pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil, cujos resultados também apontam desgaste profissional em 64,2% dos entrevistados e grande concentração da Força de Trabalho na Região Sudeste (mais da metade das equipes consultadas). O mais amplo levantamento sobre uma categoria profissional já realizado na América Latina é inédito e abrange um universo de mais de 1,8 milhão de profissionais. O estudo foi realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por iniciativa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), com apoio dos Conselhos Regionais de Enfermagem.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área de saúde compõe-se de um contingente de 3,5 milhões de trabalhadores, dos quais cerca 50% atuam na enfermagem (cerca de 1,8 milhão). A pesquisa sobre o Perfil da Enfermagem, realizada em aproximadamente 50% dos municípios brasileiros e em todos os 27 estados da Federação, inclui desde profissionais no começo da carreira (auxiliares e técnicos, que iniciam com 18 anos; e enfermeiros, com 22) até os aposentados (pessoas de até 80 anos).

“Traçamos o perfil da grande maioria dos trabalhadores que atuam do campo da saúde. Trata-se de uma categoria presente em todos os municípios, fortemente inserida no SUS e com atuação nos setores público, privado, filantrópico e de ensino. Isso demonstra a dimensão da pesquisa, que não contempla apenas os que estão na ativa, mas a corporação como um todo”, comenta a coordenadora-geral do estudo e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Maria Helena Machado.

A pesquisa foi encomendada pelo Cofen para determinar a realidade dos profissionais e subsidiar a construção de políticas públicas. “Este diagnóstico detalhado da situação da enfermagem brasileira é um passo necessário para a transformação da realidade”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri.

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